(HJ)
Não estou aqui pra defender tribos musicais nem nada, quem sou eu! Nem para julgar o que cada um faz ou deixa de fazer. Mas é que no carnaval o nível baixa, sei lá! É impressionante a quantidade de coisa bizarra que surge por aí.
Nestas épocas parece que todo mundo perde os escrúpulos e foda-se tudo, foda-se os problemas, foda-se o que tocar, manda que a gente engole. É pagode, axé, funk, bate-estaca e afins. Não tenho certeza, mas carnaval pra mim é sinônimo de samba. Sei lá, sempre associei. Entretanto, samba eu só vejo na tv, nos desfiles das escolas de samba, que, aliás, repete, repete e repete. Acho que é só nesse caso que o povo aceita que uma música se repita por 30 vezes. Se eu fosse ver um espetáculo não iria querer ouvir a mesma coisa 30 vezes. Só no carnaval que pode, no carnaval pode tudo.
Bem, no mais, não tem mais samba em lugar nenhum. Tá certo que não sei muito bem o que é carnaval. Fico em casa, curtindo a minha cama e a minha televisão, mas pelo que vejo é uma safadeza e tudo acaba em…? Samba? Pizza? Não meu camarada, tudo acaba em peitinho! E em duplo sentido, ou então em coisas sem sentido.
Por exemplo, "Deus criou o homem, homem criou Nero e Nero criou a Dança da Manivela". Que porra é essa? Não faz sentido. Talvez o Asa tenha gravado a dança da Manivela usando o Nero (aquele de gravar CDs mesmo) e ganhe até uma comissão por citá-lo na música. Mas isso não seria nada se mais pra frente não houvesse, "pega no rostinho dela, pega no peitinho dela, pega no umbigo dela, desce devagarinho", isso é uma safadeza rapaz! Sem falar no "tira o pé do chão!" e nas frasezinhas duplo sentindo, "chupa que é de uva", "cadê xoxó? xoxó tá em todo lugar!", além das sem vergonha "crééééu, crééééu".
Antigamente tinha umas coisas que, apesar de safadas, eram mais sutis, tipo: “bota a mão no joelho, dá uma baixadinha, vai mexendo gostoso, balancando a bundinha” ou “pau que nasce torto, nunca se endireita, menina que requebra, a mãe pega na cabeça”, “tudo que é perfeito agente pega pelo braço, joga ela no meio, mete em cima, mete em baixo”. É, analisando melhor, essa merda toda rola faz tempo. Ah, e “eu comprei da marca daco, porque daco é bom”.
Acho que este mundo ta ficando muito moderninho, porque antes se cantava, “o teu cabelo não nega mulata” ou “olha a cabeleira do Zezé, será que ele é?”. Hoje em dia, os Zezés passam o carnaval no shopping ouvindo Fresno e chorando de solidão. Enquanto os “léskes” tomam espumante ou uísque com energético sem camisa na beira da praia e inundam tudo com um mar de sujeira e de falta de bom-senso. Pagam fortunas por um pedaço de pan… digo, por um abadá e pulam bêbados ao som de “eu estava numa vida de horror, com a cabeça baixa sem ninguém me dar valor”. Dirigem em alta velocidade, bêbados. Esquecem dos problemas e do PMDB. “Comem o que der pra comer. Dormem onde der pra dormir.”. Depois vendem a mãe pra pagar a bebedeira e contam suas historinhas super empolgantes ao invés de contar o prejuízo.
Mas pensando bem, você vai contar o que pro seu neto? Que não teve prejuízo? Muito melhor é contar que caiu em coma alcoólico na beira da praia, vomitou no colo da gatinha, pegou AIDS, deu umas porradas (e levou também) e depois bateu o carro no poste da esquina. E para isso, nada melhor como trilha sonora um bom e belo, “paz, carnaval, futebol, não mata, não engorda e não faz mal.”, isso se agora você não estiver preso, ou no hospital, ou com um fruto de carnavais passados pedindo um vídeo-game de dois mil reais se passar de ano. Como diria o saudoso Capitão Planeta, “O poder é de vocês!”.