(HJ)
Várias coisas me deixam um pouco deprimido. Por exemplo, todos os finais de semana deste ano, são todos chuvosos, escuros, cinzas, solitários. Na verdade este comentário é absolutamente dispensável, mas o fato de todo final de semana ser úmido e aquele sonzinho das gotas de chuva caindo em pleno sábado a tarde realmente está me irritando. Férias também me deprimem. Não lembro se houve um tempo em que as férias não eram sinal de um mergulho na decadência e na solidão. Talvez em uma infância um tanto quanto remota, na época em que eu passava os dias jogando vídeo-game o dia todo sozinho. Eu tenho uma lembrança muito vaga desta época. Lembro que a família se reunia toda, havia muitos primos e brincávamos muito. Brigávamos também. Nessa época não tinha computador, muito menos internet. A gente se aventurava na rua, acordava cedo para brincar, pra inventar qualquer coisa. Não me lembro de existir preocupação. Ah, hoje em dia é tudo diferente, ou melhor, quase tudo. A família ainda continua se reunindo, mas não mais como antigamente. Parece que está cada vez menor. Eu, particularmente, odeio quando está todo mundo junto. Não sei, mas acho que fui aprendendo a avaliar o caráter das pessoas, a personalidade e confesso que vou me decepcionando cada vez mais. Enfim, não gosto da minha família, digo englobando desde a geração do meu avô até os meus primos menores. Não me sinto bem entre família, ao contrário de quando estou com meus amigos. Acho que é por isso que odeio esta época de férias. Eu me afasto quase que completamente dos amigos e ainda por cima tenho que conviver forçadamente com a minha família. Fazer o quê? Não sei ser simpático sempre. Ajo um pouco ríspido, sem muito papo, contradizendo suas opiniões sempre. Acho que eles não gostam muito de mim também. Eu sou sempre uma mera presença inevitável. Meus primos não estão mais por aqui nas férias, então acabou a brincadeira. Não tenho mais vídeo-game, não gosto muito de jogos. Computador hoje em dia é essencial e internet idem. Tem dias que nem saio na rua, fico dentro do computador, ou então assisto alguma besteira na televisão. É engraçado, porque o que eu vejo na televisão é completamente inútil e o computador é um mero engano. Estas coisas só servem pra passar o tempo, pra eu fingir que estou fazendo alguma coisa. Talvez a coisa que eu mais faça nas férias é dormir e as pessoas acham que eu durmo muito. Tenho certeza que falam por aí que eu sou vadio, me chamam de vagabundo, que eu não faço nada e que só durmo, porque um dia passaram na minha casa ao meio-dia e eu estava dormindo, outro dia era duas da tarde e eu ainda estava dormindo. Agora eu me pergunto, será que estas pessoas que falam isso porque estão próximas, (e se estão próximas nas férias, são dá família) se perguntaram a que horas eu fui dormir? Nas férias eu troco o dia pela noite. Prefiro ficar acordado a noite inteira, só, pensando na vida, fazendo alguma coisa completamente inútil, do que ter que passar o dia olhando para a cara de pessoas que eu não gosto e ouvindo coisas com as quais eu não concordo. Pode até parecer que eu durmo demais, mas não. Eu durmo pouco e mal. Além do mais, tenho que acordar e me preocupar com várias coisas. É uma pressão infernal. São diversos compromissos marcados, alguns inadiáveis, outros completamente adiáveis, e eu adio mesmo. Vou procrastinando tudo, talvez economizando alguma coisa para fazer depois ou então fico aguardando a motivação para alguma coisa. Eu juro que certas vezes eu me motivo e então eu faço tudo que tenho que fazer, mas sem a motivação necessária, acho melhor economizar. Hoje em dia faço parte de muita coisa estressante. Me envolvo com dinheiro, com contas a pagar, processos judiciais, doenças, trânsito, compras, filas e mais filas, falta de respeito e conflitos internos. Apesar de tudo isso, tenho que estar feliz e motivado a continuar na batalha, mesmo vendo que tudo não leva a lugar algum. É tão estranho. Não vejo saída. Ainda assim alguém chega pra mim e pergunta: “E aí, beleza?” e eu sou obrigado a responder que sim, que está tudo certinho porque senão eu vou ser taxado de chato, de insuportável, de pessimista. Maldita a hora que nasci! Talvez devesse estar torcendo pelo fim das férias, querendo que este inferno acabasse, mas sei que quando acabar começará outro pesadelo, quem sabe até pior, com pessoas piores e ainda assim tenho que acordar sorrindo e motivado. Ah, poupem-me os “sabe-tudo”, não sou obrigado a aceitar tudo isso. Deixem-me em paz!
Férias…, argh!
24 01 2009Comentários : Deixar um comentário »
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