Pérfido

10 02 2009

alone_by_hidden_target

(HJ)

Minha intenção é ter você,
mas não sou intenso.
Permaneço imóvel, tímido.
Diante de ti sou trôpego, estremeço,
fico pálido, receio a sua negaça.
Ao mesmo tempo, odeio meu vil sentimento
e escorre escarlate a raiva do meu silêncio.
Mantenho segredosa minha obsessão
e ainda continuamos apartados.
Sigo neste ermo e sem capricho.
Dúbio, perco-me na avidez
que se faz contraditória quando,
pérfido, esqueço de tornar notório
o que lhe jurei de coração.
Maldita a procrastinação de tê-la,
mas que me desperta os sonhos.
A quimera de sonhar ao seu lado.
Improfícua intenção nula de ação
e que faz de mim um mísero amante invisível,
cada vez menos são, condenado
à lividez eterna, à triste utopia de ser casal.





Tão longe, tão perto

27 01 2009

dad_and_me

(HJ)

Que a distância se acabe logo

Num piscar de olhos demorado

Que os nossos pensamentos combinem

E num súbito momento estejamos juntos

Abraçados para sempre num segundo

Me converte em alguém melhor

Me ensina a viver e a enxergar

Dá-me um tapa nas costas

Diz: vai! segue teu rumo!

E sigo lhe ouvindo para sempre

Te admiro, te venero e te ouço

E apesar da distância e da dor que crias

Criador, te ouço e te entendo

Porque criaste um amador

E amo tudo que é do bem

Não há distância que ofusque

Teu cuidado e o calor da tua mão

Que me ensina o que é do bem

E sinto falta, porque te lembro

Porque já nasci lhe amando

Porque estás dentro de mim





O vão da sua forma

25 01 2009

poisoned_heart_by_uploathe

(HJ)

Você não tem nome, não tem cor

Está em todo lugar

Nas esquinas, nas lacunas do meu coração

Mas é impossível te encontrar

Eu já não agüento mais sua ausência

Te procuro em todo canto

Em cada fresta, em cada andar

Ando em vão, descoordenado

Perdendo tempo, perdido no próprio penar

Vou ao passado, vôo para o futuro

Mergulho no presente e você nada

Nem nos livros, nem nas telas

Muito menos perdida na minha estrada

Te daria uma outra carona, garota

Levaria pra perto de mim

Nunca mais te perderia

Você seria a flor, eu seria o jardim

Mas cadê você, meu bem?

Por favor, me dê um oi

Maldita obsessão a minha

Dói pensar que você passou e já se foi





Férias…, argh!

24 01 2009

relaxed_by_timelessimages

(HJ)

Várias coisas me deixam um pouco deprimido. Por exemplo, todos os finais de semana deste ano, são todos chuvosos, escuros, cinzas, solitários. Na verdade este comentário é absolutamente dispensável, mas o fato de todo final de semana ser úmido e aquele sonzinho das gotas de chuva caindo em pleno sábado a tarde realmente está me irritando. Férias também me deprimem. Não lembro se houve um tempo em que as férias não eram sinal de um mergulho na decadência e na solidão. Talvez em uma infância um tanto quanto remota, na época em que eu passava os dias jogando vídeo-game o dia todo sozinho. Eu tenho uma lembrança muito vaga desta época. Lembro que a família se reunia toda, havia muitos primos e brincávamos muito. Brigávamos também. Nessa época não tinha computador, muito menos internet. A gente se aventurava na rua, acordava cedo para brincar, pra inventar qualquer coisa. Não me lembro de existir preocupação. Ah, hoje em dia é tudo diferente, ou melhor, quase tudo. A família ainda continua se reunindo, mas não mais como antigamente. Parece que está cada vez menor. Eu, particularmente, odeio quando está todo mundo junto. Não sei, mas acho que fui aprendendo a avaliar o caráter das pessoas, a personalidade e confesso que vou me decepcionando cada vez mais. Enfim, não gosto da minha família, digo englobando desde a geração do meu avô até os meus primos menores. Não me sinto bem entre família, ao contrário de quando estou com meus amigos. Acho que é por isso que odeio esta época de férias. Eu me afasto quase que completamente dos amigos e ainda por cima tenho que conviver forçadamente com a minha família. Fazer o quê? Não sei ser simpático sempre. Ajo um pouco ríspido, sem muito papo, contradizendo suas opiniões sempre. Acho que eles não gostam muito de mim também. Eu sou sempre uma mera presença inevitável. Meus primos não estão mais por aqui nas férias, então acabou a brincadeira. Não tenho mais vídeo-game, não gosto muito de jogos. Computador hoje em dia é essencial e internet idem. Tem dias que nem saio na rua, fico dentro do computador, ou então assisto alguma besteira na televisão. É engraçado, porque o que eu vejo na televisão é completamente inútil e o computador é um mero engano. Estas coisas só servem pra passar o tempo, pra eu fingir que estou fazendo alguma coisa. Talvez a coisa que eu mais faça nas férias é dormir e as pessoas acham que eu durmo muito. Tenho certeza que falam por aí que eu sou vadio, me chamam de vagabundo, que eu não faço nada e que só durmo, porque um dia passaram na minha casa ao meio-dia e eu estava dormindo, outro dia era duas da tarde e eu ainda estava dormindo. Agora eu me pergunto, será que estas pessoas que falam isso porque estão próximas, (e se estão próximas nas férias, são dá família) se perguntaram a que horas eu fui dormir? Nas férias eu troco o dia pela noite. Prefiro ficar acordado a noite inteira, só, pensando na vida, fazendo alguma coisa completamente inútil, do que ter que passar o dia olhando para a cara de pessoas que eu não gosto e ouvindo coisas com as quais eu não concordo. Pode até parecer que eu durmo demais, mas não. Eu durmo pouco e mal. Além do mais, tenho que acordar e me preocupar com várias coisas. É uma pressão infernal. São diversos compromissos marcados, alguns inadiáveis, outros completamente adiáveis, e eu adio mesmo. Vou procrastinando tudo, talvez economizando alguma coisa para fazer depois ou então fico aguardando a motivação para alguma coisa. Eu juro que certas vezes eu me motivo e então eu faço tudo que tenho que fazer, mas sem a motivação necessária, acho melhor economizar. Hoje em dia faço parte de muita coisa estressante. Me envolvo com dinheiro, com contas a pagar, processos judiciais, doenças, trânsito, compras, filas e mais filas, falta de respeito e conflitos internos. Apesar de tudo isso, tenho que estar feliz e motivado a continuar na batalha, mesmo vendo que tudo não leva a lugar algum. É tão estranho. Não vejo saída. Ainda assim alguém chega pra mim e pergunta: “E aí, beleza?” e eu sou obrigado a responder que sim, que está tudo certinho porque senão eu vou ser taxado de chato, de insuportável, de pessimista. Maldita a hora que nasci! Talvez devesse estar torcendo pelo fim das férias, querendo que este inferno acabasse, mas sei que quando acabar começará outro pesadelo, quem sabe até pior, com pessoas piores e ainda assim tenho que acordar sorrindo e motivado. Ah, poupem-me os “sabe-tudo”, não sou obrigado a aceitar tudo isso. Deixem-me em paz!





Fodam-se

18 01 2009

fuck_you_by_vladm

(HJ)

A realidade é que todo mundo me olha estranho por aqui e ninguém sabe qual é a verdadeira situação, apenas querem ignorar a verdade. Criticar é fácil. É fácil vir até aqui soltar palavras irônicas só pra fazer pirraça. Querem colocar fogo na fogueira e fecham os olhos para o que acontece realmente. Vêm pra cá dizer que não tenho fé quando na verdade penso diferente deles. Me odeiam por isso. Só lamento a ignorância destas pessoas. Malditos hipócritas metidos que adoram uma fofoca. Falam mal de mim por aí, me esculacham mesmo. Não tenho direito a opiniões e dane-se minhas férias. Dizem elas que não faço nada, que sou um vagabundo, querem que eu vá para o quinto dos infernos. Tenho é que me foder. Tenho é que ser um escravo mesmo querendo ser servo. Não ligo em ser servo, sou com prazer. Mas não me cobre o que não estou disposto a fazer, acho que não sou obrigado a seguir as ordens de ninguém nessa vida. Não tenho que ouvir estas merdas todas. A vida já é ruim demais pra eu ter que seguir ordens, ser um escravo. Cansei de ouvir quieto, cansei destes olhares com ar de ódio, de horror. Criticaram-me, falaram mal, me reprovaram e eu nada fiz. Infelizmente, já que sofri estas injustiças todas, basta a mim fazer as críticas tornarem-se justas. Então já aviso, cabeças vão rolar e vai rolar o maior pandemônio. Não peço desculpas. Foda-se a hora que eu acordo, foda-se a minha procrastinação, foda-se se eu não acredito em milagres, nem no mesmo deus de vocês, foda-se o papinho ridículo de vocês. Fodam-se e vão tomar no cu, filhos da puta!





Maldito Desespero

7 01 2009

despair

(HJ)

O fato é que eu já não agüento mais. Eu não queria estar aqui onde estou e fazer isto que estou fazendo, porque apesar de eu não fazer nada, ainda assim eu me acabo. Sinto que vou perecendo, perdendo a força, a vontade, o motivo, a ação. Vou me perdendo e já não sei mais pra onde seguir. Prefiro dormir, o máximo possível, pra curar a minha ressaca de maldade comigo mesmo, com os outros, com todo o mundo. A realidade é que não tenho mais vontade de viver, não agora, não deste jeito. Deste jeito abandonado. Malditos piores dias da minha vida. Dias de solidão, de falta de rumo. Estou mesmo é desesperado.

Parece que há alguma conspiração contra mim. Mas quem sou eu para pensar que o mundo gira em torno de mim e conspira contra mim? Não sou ninguém, mas confesso que já pensei nisso. Pensei que todos sabiam da minha vida e que todos eram atores e tudo que ocorria era friamente calculado para acontecer. Já não penso mais assim. Sinto que as pessoas não sabem nada de mim, porque eu tenho dentro de mim muita coisa guardada, tenho um emaranhado de sonhos, mas que eu nem sei quais são.

Certo dia, pensei ter um sonho, sonhava com isso. Pensava nesse sonho a todo instante e me esforçava para conquistá-lo. Nem sei o porquê desse sonho, mas era o que me movia. O tempo foi passando e cada vez mais o destino foi apagando meu sonho, me acordando e me castigando mais e mais. Hoje me vejo fracassado, sem rumo algum. Me vejo tomando um rumo sem motivos e me faltando alguma coisa, um sonho. Não tenho o sonho de seguir por este caminho porque ele me parece tão estranho e distante de mim. Estou perdido.

Deveria eu estar esperando um milagre e voltar a sonhar os sonhos antigos que eu tinha. Isto se eu acreditasse em milagres. Desde muito cedo fui levado a acreditar em milagres, em sonhos, em promessas, mas já não vejo motivos para esperar por algo incerto que só faz o sentimento de fracasso passar por um tempo. É como se eu soubesse que nada irá acontecer, porque nem tudo depende de mim. E isso me leva a abrir mão de mim mesmo. Acho que é perda de tempo subir, subir para cair no final.

Acho que me falta um pouco de fé, talvez. Já tive um dia. O tempo foi a desgastando. Acontece que a cada dia tudo parece ficar pior. E no estado que estou agora, só me sinto bem sozinho. Completamente só. Na madrugada, como se ninguém mais existisse no mundo, só eu. É como se eu tivesse a chance de parar o tempo e poder procurar uma saída, descobrir uma maneira de me sentir melhor. Só que o tempo não para. E eu tenho que acordar para brigar com o mundo. Não adianta, sinto que perdi a vontade de viver.

Deve restar ainda uma esperança em mim, porque senão eu já teria acabado com minha agonia da pior maneira possível. Preciso de socorro, de qualquer lugar, de qualquer um. Um socorro que faça algum sentido lógico e não de promessas incertas. Eu tento não acreditar que há uma conspiração contra mim, mas é difícil e eu vou me acostumando a esperar o pior. Talvez por isso eu não consiga mais levantar da cama, o pior deve estar a me esperar em algum lugar. Não agüento mais esta agonia e não sei o que fazer. Maldito desespero.





Reticências

19 12 2008

0073_by_zigurat84

(HJ)

Você já parou pra pensar no que você é? Afinal, qual o sentido desta pergunta? Como assim o que eu sou? Enfim, eis a questão.

Esquecendo toda a conotação que cerca minha mente e insiste em me confundir, posso dizer que sou simplesmente mais um humano neste mundo cruel e injusto. Sou uma pessoa com problemas, pouco mais que umas pouco menos que outras, quase ímpar.

Sou ingênuo e não sei quase nada. Sigo aprendendo a cada dia uma coisa nova. Vou agregando conhecimento e agregando valor a mim mesmo. Vou melhorando em várias coisas e me estragando em outras. Me confundo fácil e não sei escolher nem decidir. Não faço quase nada direito. Não sou o melhor em nada e sou péssimo e muitas coisas. Já adianto que não aposte em mim, não espere de mim coisas extraordinárias, nem coisas medíocres. Pra ser sincero, não espere nada de mim.

Eu mudo com muita facilidade. Sou falso, dissimulado, falo mal das pessoas, faço pirraça e dou risadas forçadas. Eu tento não mentir e não trair. Acho feio. Sou tenso e fico nervoso por coisas banais. Não faço grandes amizades com facilidade, no máximo um coleguismo de momento, até que eu me canse, todavia é óbvio que há exceções.

Não demonstro tristeza. Eu choro escondido, por dentro. Me autodestruo com sentimentos de culpa e não tenho confiança em mim mesmo. Também não demonstro alegria. Vibro silenciosamente e muitas vezes apenas solto um suspiro de dever cumprido. Talvez meu olhar e minha expressão me condenem, mas nada que alguém um pouco mais espontâneo perto de mim não possa ofuscar.

Não cuido da minha saúde. Só como porcaria regada a muito óleo, gordura, sal e açúcar, sim açúcar. Não pratico esportes. Não leio livros. Estou sempre carente, um pouco triste e melancólico. Estudo meio que a contra gosto, na véspera das provas, e me irrito com quem me manda estudar ou com quem diz que já estudou.

Adoro dormir, mas não gosto de ir dormir. Demoro pra dormir. Me vêm milhares de pensamentos ao mesmo tempo que me impedem de descansar em paz para um novo dia. Queria poder deitar e dormir. Acordar também é chato, principalmente se eu sou acordado. Prefiro dormir até não agüentar mais, acordar e ter uma coisa boa pra fazer. Eu sou vagabundo. Não gosto de fazer o que tem pra fazer. Fico procurando alguma coisa a mais. Eu quero algo além, algo que não existe.

Odeio sair sozinho, mas adoro sair com os amigos, o problema é que é preciso quase que me carregar por aí pra eu sair da toca. Gosto de beber, beber muito, dois litros de refrigerante pra mim é pouco, eu gosto é do excesso. Não sei dirigir direito, estou sempre fazendo uma besteira lá, uma barbeiragem ali, sempre passando uns apuros.

Não trabalho, sou vadio e não me vejo com vocação pra nada. Quem sabe para o serviço de deitador de cama e escutador de música. Sou um completo dependente dos pais. Não tenho dinheiro, não tenho liberdade, não tenho nada. Sou idiota. Faço merda e não adubo a vida, só me sinto culpado e idiota. Sou anão e não gosto de ser. Eu me odeio. Queria poder dormir por um bom tempo. Não morrer, mas dormir e acordar qualquer dia desses pra ver se o mundo melhorou.

Já acreditei em milagres, em Deus, nessas coisas espirituais. Hoje em dia não acredito mais em nada. Não rezo, não espero por milagres, não acredito que exista esse Deus que falam por aí. Talvez exista outro, diferente. Um que ninguém conhece e que não é preciso ficar bajulando, puxando o saco.

Não sei falar com as pessoas, talvez por timidez, talvez por não ter com quem falar. Na verdade me sinto idiota falando certas coisas, até porque, como eu já falei, eu sou idiota. Não tenho namorada, nem nunca tive. Não tenho capacidade pra isto. Nunca falei um “eu te amo” pra alguém, assim ao vivo e a cores, a não ser muito bêbado num momento de carência profunda. Eu me apaixono fácil e desapaixono difícil. Sou apaixonado por um número elevado de garotas, umas mais, outras nem tanto, mas todas com algo em comum, nunca ouviram isto de mim. Sou idiota.

Eu demoro pra pensar, o tempo pra mim é uma merda. Odeio o tempo. Sempre fui uma pessoa atrasada, ingênua, o último a amadurecer, o último, ou então o primeiro, o gaiato, aquele que se ferra antes dos outros. Eu queria que não houvesse tempo, ou então que eu tivesse meu próprio tempo, sem pressão, sem prazo.

Uma das poucas coisas que eu gosto de verdade é música, gosto de fazer música, ouvir música, pensar em música. Também gosto de escrever, conversar comigo mesmo, esperando que alguém leia. Mesmo assim, às vezes não gosto de música, nem de escrever. Sou um péssimo músico, não tenho o talento que queria ter. Também não sei escrever, não sei utilizar pontuação e minhas idéias são aleatórias, desconexas.

Enfim, este sou eu, simplesmente. Eu sou uma incógnita, assim como uma reticência. Muda e querendo dizer alguma coisa.





Autentica

12 12 2008

__roadside_lovin_____by_mynk

(HJ)

me diz se tem segredo
a carne da sua boca
a sua carne toda louca
te arreganha meu amor

vê se para com essa maldade
essa mania de me evitar
evita de fazer isso, meu bem
afaga minha vontade de chorar

e nem adianta vir com essa cara
larga esse semblante torto
corre pros meus braços sem medo
antes que o amor esteja morto

te anuncia de uma vez, querida
que eu já não aguento esse penar
me bate, me beija, cansa meu cansaço
acalma que acalma meu mal-estar

para com esse papo de “sai daqui”
não faz esse tipinho pop star
deixa rolar amor, amor
rola comigo, deixa eu te amar

te entope de mim, benzinho
me entorpece com sua vaidade
esquece o resto do mundo
vem pra perto libertar minha vontade

ligeiro, não aguento mais
vem de uma vez menina insana
não tem segredo, nada demais
me carimba, assina e me ama





Não faz assim, não

1 12 2008

i_stil_love_you_by_add1ct3d

(HJ)

eu sou mal, sou normal
sou igual a este mundo banal
e tenho raiva de você
te odeio porque te amo
porque só penso em você
e você nem sorri
porque me esqueceu
porque nem me conheceu
por quê? por que você?
tão linda, tanto assim
me mal-trata, cospe em mim
espanca meu coração, sem pena
não faz assim, não
droga, odeio te amar





Clara confusão

30 11 2008

try_to_touch_the_stars_by_bubblefloke

(HJ)

só me restava o céu
na noite escura, sozinha
quase despercebida
que me toca quando sai da toca

sai devagar, como eu
na velocidade da minha vontade
vai desabrochando
mostrando o que não é tão claro

e na claridade pude perceber
a imperceptível falta
que corroi a alma, desatina
clarão que debocha

lá nas estrelas que eu vi
o desenho que nunca se esquece
confuso, sem graça, sorri
do rabisco estranho que enlouquece

tão distante, tão dentro de mim
e só resta ficar apreciando
pra guardar nas noites
vivendo a falta, sonhando