Clara confusão

30 11 2008

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(HJ)

só me restava o céu
na noite escura, sozinha
quase despercebida
que me toca quando sai da toca

sai devagar, como eu
na velocidade da minha vontade
vai desabrochando
mostrando o que não é tão claro

e na claridade pude perceber
a imperceptível falta
que corroi a alma, desatina
clarão que debocha

lá nas estrelas que eu vi
o desenho que nunca se esquece
confuso, sem graça, sorri
do rabisco estranho que enlouquece

tão distante, tão dentro de mim
e só resta ficar apreciando
pra guardar nas noites
vivendo a falta, sonhando





Quem te viu, quem te vê

20 11 2008

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(HJ)

Cada um é cada um. Todo mundo tem suas características, sua personalidade, sua percepção de vida. Cada cabeça pensa de um jeito único e isto é o que faz com que a sociedade evolua. Já que cada um vale por aquilo que é e faz, de nada deveria importar a aparência, o biótipo, a cor da pele ou a saúde. O fato é que na prática isto nem sempre acontece, ou melhor, quase nunca.

A sociedade impõe padrões que devem ser seguidos à risca, sendo que fugir destes padrões pode lhe tornar excluído ou rejeitado. Quem anda mal vestido é mal visto, que não tem um corpo esbelto e proporcional é visto com maus olhos, quem é negro, quem é pobre, quem é doente, quem não tem o padrão de beleza imposto pela sociedade é mal visto.

Dentro da sociedade, as oportunidades surgem a partir do cartão de visitas de cada um, sendo este, além da aparência da pessoa, seu astral. Então me dizem: a pessoa que é privada de uma aparência bela pode valer-se do seu astral, seu bom humor, seu carisma. Bem, não é bem assim.

A maioria das pessoas sofre certo preconceito dentro da sociedade, já que ninguém consegue ser perfeito e satisfazer o ideal de perfeição que lhes é imposto. Algumas sofrem mais, outras menos. Analisando o caso, um rapaz chega numa festa com um carro caríssimo, lindo e super potente, capaz de causar orgasmos em quase todas as garotas da festa só de ouvirem o zunido do motor do seu carro. Este rapaz irá entrar na festa com um ar de superioridade tão imenso e com uma autoconfiança tão grande que será muito mais fácil para ele catar uma mulher e sair dali com ela vocês já sabem para onde. O mesmo ocorre com quem se veste bem, quem possui um nível de beleza mais elevado, quem possui uma situação financeira melhor e quem conhece mais.

O astral da pessoa depende do quanto ela se sente segura consigo mesma, e uma pessoa que segue os padrões da sociedade sente-se mais segura. Não é a toa que a maioria dos CEOs de empresas norte-americanas possui uma altura um pouco acima da média nacional. De fato, tamanho é documento, é cartão de visita. Sem dúvidas é importante para um líder estar acima dos outros. De cima para baixo é mais fácil repreender alguém, dar ordens, ou seja, alguém mais alto logo está associado com liderança. Prova disso é quando você vai conversar com uma criança sem ser repressivo, você se abaixa para conversar com ela no mesmo nível.

Aonde eu quero chegar é que a aparência importa sim. Pessoas que seguem os padrões impostos pela sociedade têm mais oportunidades e estão um passo à frente das outras, e isto gera nelas um astral melhor, que contribui ainda mais na vida destas. A real é que a sociedade é cada vez mais ridícula e a cada dia que passa me sinto mais estranho. Quem dera viver numa sociedade justa. Como quem só sonha não vive, resta a mim aceitar a condição de ser o que sou e viver de lado ou me moldar de alguma maneira a ser igual ao resto.





Dá Pra Acreditar?

28 10 2008

(HJ)

Fui criado para acreditar. Vivi intensamente a esperança de que um dia tudo iria melhorar. Fui esperando, esperando e ainda espero. Contínuo acreditando que é possível, algum dia, uma luz, um trovão, uma magia possa pairar sobre mim e eu venha a realizar meus sonhos, porque fui criado para acreditar.

Claro que já não mais tenho aquele mesmo sentimento de antes, que me consumia por inteiro, aquela esperança suprema, a certeza. Nem lembro mais de quando acreditava em Papai Noel e ainda lembro-me de quando o coelhinho da páscoa virou pó. Deus pra mim já não passa de uma mera metáfora e milagres são apenas coincidências que ninguém soube explicar.

Não acredito mais que sou bonito, nem que sou uma pessoa especial, um superdotado, um idolatrado. Acho que fui chegando mais perto do espelho e que meus óculos curaram minha miopia. Sonhos são apenas sonhos e eu tento arranjar uma explicação lógica para eles. Extraterrestres são seres de outro planeta e não estão na Terra.

Eu não acredito mais no certo, nem no errado. Agora só existe o bom e o ruim para cada segundo da vida. Não tenho mais certeza de nada e apesar de ter sido criado para acreditar, já não acredito em quase nada. Não acredito na televisão, no horário político, nem nas histórias que escuto no buzão.

Fui perdendo a esperança, fui ruindo, deixando de sonhar, deixando de lado a motivação, o motivo, o coração. Só me restam as pessoas, e nelas eu ainda acredito. Não na voz, mas nos gestos, olhares, atitudes. Não acredito nas palavras ou nos sorrisos, no entanto eu busco o brilho no olhar, as rugas, o tom. É o que me resta, é o que presta. Se engana você que acredita que eu acredito no seu ar falso, sua postura cínica e seu sentimento frouxo.

Não sei se vale tanto à pena deixar de acreditar e confesso que às vezes tenho uma recaída, visto que fui criado para acreditar. Mas os golpes que se seguem são tão doloridos que me convencem e me fazem acreditar que não é legal acreditar. Acreditar pra mim é bullshit. É arranjar motivo para se estressar, é o combustível da depressão, é o caminho até ao álcool, é o pré-destino da ressaca.

Vou pagando o preço, minhas cicatrizes não me deixam esquecer e mesmo assim ainda me pego acreditando. Vou definhando e acreditando em paixões sem resposta, sem selo, sem correspondência, sem envelope. Mas contínuo acreditando, vez por outra, na luz, no trovão, na magia, e acabo numa cama fria, vazia, ouvindo minha consciência de que não dá pra se acreditar.





Quase um amor

20 10 2008

Havia no ar um certo perfume. Me provocava uma sensação esquisita, calafrios,  amor e ódio, desejo e paixão. E por ali eu fui entrando, para investigar minha loucura, para descobrir minha lucidez.

O quarto era escuro, pura penumbra, e o cheiro ficava mais forte à medida que eu ia adentrando. Os calafrios eram mais constantes e meus sentimentos já não se controlavam mais, foi quando senti algo me tocar. Era uma mão fria, me gelou a alma. Me assustei num primeiro momento, mas meus sentimentos já não mais podiam ser compreendidos. Eu já nem sabia mais o que sentia.

Segurei a mão fria. Acho que cochilei por alguns instantes antes de puxá-la até rente ao meu nariz e desfrutar de seu perfume alucinante. Era a melhor droga que eu já havia experimentado. A droga que salvaria minha completa monotonia de viver. Já não tinha mais um único pingo de medo e nem passou pela minha cabeça sentir algum remorso. Eu já estava completamente alucinado por seu perfume.

Sentia minha cabeça girando e os mais variados pensamentos me vieram. Lhe puxei com força pra mais perto de mim. Senti seu corpo, a forma mais perfeita que já tive a oportunidade de tocar. Pensei em nunca mais lhe soltar e para curar minha eterna crise de carência, dei-lhe um abraço. Colei meu rosto ao seu e pude notar agora a sua pele macia. Tive medo.

Pensei ter ingerido a dose letal de você, mas pude sentir sua respiração ofegante ao lado do meu ouvido. Entrava diretamente na minha mente e eu já estava condenado a lhe querer pra sempre. Você me disse um oi baixinho, um minucioso sussurro que me dava arrepios. Começavam atrás, na minha nuca, pareciam percorrer toda minha cabeça e eu sentia toda essa emoção saindo pelos meus olhos.

Foi aí que você se afastou, a luz surgiu, você segurou meu rosto, olhou fundo nos meus olhos e sorriu. Golpe mortal. A partir daí eu já não mais me sentia vivo. Estava em transe. Pude ver seu rosto, era lindo, você era a melhor droga do mundo e eu estava apaixonado. Então, num golpe súbito de loucura, desta vez lhe empurrei contra a parede. Você soltou um grito frenético de susto, ou talvez fosse uma estratégia sua para me deixar cada vez mais louco. Aproximei meus olhos dos seus e o seu brilho me cegou. Na minha frente eu só via você e o mundo deixava de existir. Fiquei sem palavras e soltei uma de minhas caras misteriosas, meio triste, meio carente, com ar de apaixonado, talvez um pouco criança, quem sabe um pouco tarado. Pensei ter lhe confundido e você me responde com uma cara ainda mais misteriosa. Confesso que senti um certo receio de ti naquele momento, mas o meu vício de você era muito grande e cada vez mais eu queria a sua dose máxima.





Um Papo Furado…

30 09 2008

(HJ)

Eu sou incompleto, meio só, meio par

comigo mesmo, levado, de lado

meio esquecido, talvez desesperado

Um detetive tentando desvendar o próprio crime

Meio confuso, ao mesmo tempo, vítima e culpado

Meio perdido, procurando caminhos

corações, mãos e bocas

sou um apaixonado

Meio incompetente, sem saber o que fazer, querendo fazer nada

sou um desajeitado

Nos meus próprios sentimentos, afogado

Receoso, com medo de parecer meio abobado

medo de descobrirem minha verdadeira identidade

Sou um papo furado

Sempre só e apaixonado





Quase um Papo Furado

29 09 2008

(HJ)

Não sei se vale a pena se preocupar com alguma coisa que eu fale, ou faça, ou qualquer coisa que venha de mim. Nem eu sei por que às vezes eu fico estranho, meio chato, irritante, quer dizer, talvez eu saiba. Na verdade eu tiro umas conclusões das coisas e que não tem nada a ver, é preferível nem comentar. São maluquices da minha cabeça e não servem pra nada, ou melhor, acho que são essas conclusões que me deixam meio chato, insuportável. Mas, não vale a pena se preocupar com isso, porque existem coisas mais importantes pra se levar em consideração. Por exemplo, tem uma coisa que eu não digo pra ninguém e que vejo todo mundo dizendo por aí, da boca pra fora, sem o menor escrúpulo. Eu acho um absurdo. Porém, isso aí tem que ser dito mesmo, não vale a pena guardar essas palavras. Só tenho medo que isso vire um papinho furado, por isso tenho tanto medo de falar. Também não gosto de falar isso meio indiretamente, pela internet, pelo telefone, ou qualquer outra tecnologia isolante. Eu gosto é de estar perto e poder dizer com a voz trêmula, suando frio, meio desajeitado, porque não gosto que fique qualquer dúvida sobre isso. E não importam minhas maluquices, minhas conclusões idiotas e o meu jeito babaca de ser. Não ligue pra o meu jeito pouco delicado e minha implicância, porque isso é só uma forma que tenho de tentar fingir o que sinto na real. Tenho um pouco de receio de parecer um idiota, ingênuo, então eu fujo dos meus sentimentos, se bem que não importa se sou um idiota. A única coisa que importa é que eu te amo e espero que não fiquem dúvidas, porque não é pouco, é de verdade e talvez pra sempre.





Bicicleta

24 09 2008

(HJ)

Você certamente já usou uma bicicleta, você monta pra chegar a algum lugar. Bem, quase todo mundo já andou de bicicleta, mas tem gente que se sente uma bicicleta. Eu por exemplo, me sinto uma bicicleta, uma bicicleta idiota. Demorei pra perceber, só que agora tudo faz sentido. Bem que eu sentia certo peso nas costas, uma dor enorme que começava no meu dorso e vinha até meu coração. Culpa da minha cegueira, minha paixão, meu amor silencioso, minha tremenda inocência. Inocência apaixonada. Pago o preço de amar alguém que não me ama. Sei lá, talvez eu esteja enganado. Mas me sinto um lixo por demorar tanto pra perceber o tamanho da minha ignorância, tudo tão claro. Fui feito de trouxa e hoje não vou dormir, vou bolar planos, palavras, algo que te faça chorar, definhar em lágrimas, azedas e ácidas, de remorso, de arrependimento, e talvez desenhe um plano b, a minha última fuga, meu último suspiro de decepção.





Aquilo Que Não É

17 09 2008

(HJ)

Tenho ciúmes daquilo que parece meu.
Meu amor, que não é meu,
que foge do meu amor
Parece ser meu,
mas é de dar raiva,
porque não é meu.
Ciúme daquilo que parece,
da minha dúvida, que raiva.
Até me seca a boca.
E que boca a do meu amor,
que me enciuma,
porque não é minha,
porque não é meu o meu amor.





Remoto Controle

23 07 2008

(HJ)

- Quem é você?

- Não gosto de falar sobre isto.

- Então, me diga o que te trouxe aqui?

- Não sei! Não tem nada pra fazer mesmo, estou aqui.

- Aaah…

- Mas se quiseres eu vou embora!

- Não, não. Fica mais um pouco.

- E você por que está aqui?

- Não sei! Você é quem sabe. Eu sou fruto da sua imaginação.

- Ah é? Então sou eu quem controla você?

- Acho que sim.

- (Hmmm) Posso fazer o que eu quiser então?

- É? Pode! Sou toda sua.

- (Hmmm… maravilha!) Dança pra mim!

- Que tipo de dança?

- Sei lá. Qualquer uma. Uma bem sexy!

- Está bem!

- Puta merda! Isso aí é uma dança sexy?

- Não sei. Você é quem me controla. Eu faço do jeito que você quiser.

- Mas eu não quero assim. Até parece eu dançando, poxa!

- O que faz todo o sentido. Se você me controla, eu danço do modo como você sabe dançar.

- Então quer dizer que tudo o que você faz é como se fosse eu fazendo?

- Sim, você me controla!

- Pensando bem, eu tinha umas idéias em mente, mas acabei de descartá-las.

- Pois é. Eu sei.

- Como assim, Você sabe?

- Sim, eu sei tudo o que você pensa. Eu sou parte de você.

- Duvido! Então me diz: no que estou pensando agora?

- Não me sinto confortável em dizer isso.

- A hã! Não sabe!

- Bem, na verdade foi você quem não quis que eu falasse. Basta você querer que eu te digo tudo.

- Espera aí. Deixa eu ver se entendi. Você é fruto da minha imaginação. Certo?

- Certo!

- Tudo que eu desejar você faz, certo?

- Certo!

- Porém faz do modo com que eu faço, porque eu só sei agir assim e como eu te controlo você age como se fosse eu.

- Exatamente!

- (Hmmm) Você me acha bonito?

- Lindo e elegante!

- (Puta merda! Sempre quis ouvir isso!) Você também é linda demais!

- Eu sei! Você me fez assim!

- É verdade! Mas então não tem graça.

- O que não tem graça?

- Você!

- Como assim?

- Você é tudo de bom. Linda, simpática, a garota dos meus sonhos. Mas eu não movi um dedo pra te conquistar. Não te mandei flores. Não liguei de madrugada pedindo pra você observar o luar. Não te levei no cinema pra ver um filme brega e chato só pra dividirmos uma pipoca.

- É mesmo. Mas mesmo assim eu sou apaixonada por você!

- Mas isso é completamente chato! Com que motivação eu vou amar você? Vai ser tudo tão perfeito pra sempre. Nós nunca vamos ter assunto pra conversar, pra pensarmos juntos. Nunca vamos brigar.

- Não seja por isso, se você quiser…

- Não, não, não! Não agora. Escuta: isto não tem como dar certo, você tem que sumir daqui, já!

- Só você pode fazer isto.

- Mas como?

- Você sonhou com este amor perfeito. Você me fez assim e você me ama.

- Não! Nunca! Eu não quero um amor assim. Eu quero sentir glória ao conquistar meu amor, um amor de verdade. Vá embora!

- Sim, eu vou! Mas pense bem, eu sou parte sua e a felicidade verdadeira só se alcança com o amor próprio. Me ame pra sempre e serás feliz eternamente.

- Pare com isso! Eu não quero amar você. Eu nem gosto tanto de mim assim. Eu quero a liberdade, larga do meu pé! Vá procurar sua turma!

- Você é minha turma! Você e seu mundo perfeito. Seus amigos perfeitos, suas amantes perfeitas, sua família perfeita. Somos só eu e você neste mundo de perfeição. Aqui tudo é do seu jeito. Você comanda!

- Pare com esse papo! Não estou mais agüentando! Estou me sentindo cada vez mais preso, cada vez mais culpado, cada vez mais só. Me deixa. Vá embora!

- Já disse que vou, mas não se esqueça que é você quem me controla. Estou só esperando você criar coragem e me mandar embora. Vai, anda logo! Estou ficando impaciente também.

- Não é possível, eu não consigo mais sair deste casulo. Não consigo mais. Escuta só: o que eu mais quero agora é que você suma, desapareça daqui. Me deixa ser livre e viver a vida real.

- Você tem certeza? Porque, se eu não sumi ainda, a culpa é sua.

- Ah, claro! A culpa é sempre minha!

- Sabe o que eu acho?

- Fale.

- Acho que você tem medo!

- Medo? Medo de quê? Eu não tenho medo!

- Você tem medo de encarar o mundo real! E foi por isso que você me criou. Para ter alguém que te ame e que você possa amar, tudo incondicionalmente. Você tem medo de enfrentar as condições que a vida real te impõe e por isso vive sonhando.

- Pare, por favor! Minha cabeça já está estourando de dor! Nem consigo mais pensar direito.

- Está percebendo? Você está tentando fugir da realidade. Para enfrentar o mundo real você tem que aceitá-lo. Aceitar os seus defeitos, as suas discrepâncias. Você precisa ter a coragem de perder. Precisa de força para amar de verdade.

- Mas como eu faço isso? Me explica, por favor! Me ajuda a sair deste casco. Me acorda!

- Não posso te ajudar. Só você é quem tem esse poder.

- Então ta! Escuta só: eu já entendi. Eu sou um covarde mesmo, não gosto de encarar a vida real. Não tenho temperamento para ser herói, nem que seja o meu herói. Fracassei e estou condenado a viver ao seu lado para sempre, com total controle sobre seus atos. Estou condenado a viver neste mundo de perfeição, sem motivos, sem motivação.

- Bem, já te falei uma vez, só você tem o poder de se libertar. Não espere alguém vir te acordar, porque isto não irá acontecer. Enfrente o medo de viver e viva intensamente. Me esqueça, me faça sumir. Só mais um conselho, ame a você mesmo antes de tudo. Não procure amar seres imaginários mais do que você próprio, só assim você estará livre para viver a realidade, amar de verdade e buscar a felicidade. Adeus meu amor!





Modelada

13 07 2008

(HJ)

Há muito me convidam a visitar uma casa dessas de modelos que dormem de dia. Dizem ser divertido, que não vão lá pra fazer suruba, só querem se divertir. Vão beber um pouco, zoar as “profissionais”, rir muito a noite toda e quem sabe rola até uma sacanagenzinha no fim. Eles contam a maior vantagem. Falam que nem gastam muito e é bom pra dar uma descontraída, uma variada na diversão, o que não é verdade. Essa galerinha aí é a mesma que saí pra balada à noite pra “pegar” mulher. Eles já têm toda a estratégia e sempre saem se agarrando com alguém, seja com uma “gatinha” ou com algum outro “pegador” desconsolado. Agora me diz, qual a diferença entre ir pra putaria e pra balada? Eles vão acabar “pegando” o mesmo tipo de gente. Nos dois ambientes sempre tem pena pra tudo que é lado e sempre corre-se o risco de pegar AIDS. Talvez o puteiro seja até mais divertido e barato e por isso que eles me falam que é tão legal ir até lá. Eles nem percebem, mas não estão variando nada, continuam indo nos mesmos lugares desprezíveis de sempre, seja pela quantidade de pena, seja pela música ruim, seja pelo preço da bebida e pela chance de se contrair uma DST. A balada e o puteiro seriam iguais se não fosse por uma diferença, freqüentar puteiro é o maior atestado de incompetência que alguém pode assinar. Talvez por isso os homens dizem que só vão lá às vezes, pra dar uma variada. Lá você paga e come, como em qualquer restaurante por aí. Não precisa cozinhar, nem lavar a louça depois. Maior incompetência que essa, só se pedir entrega a domicílio, assim como se pede uma pizza. Se bem que hoje em dia já é praticamente a mesma coisa. Você liga e escolhe o sabor, “Alô! Me vê uma grande de morango e uma gigante de melancia!”, aliás, o preço é praticamente o mesmo. Não entendo como alguém consegue fazer isso e entendo muito menos como uma mulher se põe nessa situação. Se bem que, estas mulheres na verdade são apenas corajosas. A única diferença entre as modelos que dormem de dia e as modelos das baladas é que umas cobram pelo serviço e as outras não. Tolas as que não cobram, são “putas grátis” e ainda tem coragem de esnobar os rapazes, fazem um charminho. Putas! Me cansa essa banalização do amor. Não entendo a sociedade. Me enjoa ver tias e mães vomitando por aí, “E a namorada? Como é que é?”, numa tentativa desesperada de que o moleque se torne um “homem” logo. Pior ainda os pais, ensinam os filhos a sair por aí “passando o rodo”, tornando-se machistas desprezíveis e criminosos. O amor está banalizado. É difícil encontrar por aí alguém que ame de verdade, ou então eu não sei o que é amor. Amar é deixar a mulher em casa e ir pra casa de modelos, seja das que dormem de dia ou de noite, e se “divertir”? Alguns falam por aí que as putarias são a salvação do casamento. Mas me explica direito, como se salva o casamento no puteiro? Não seria melhor ir num restaurante com a companheira? Paga, come, conversa, se diverte e nem precisa lavar a louça, igualzinho na putaria se não fosse pelo fato de que deste jeito não se desvaloriza a mulher. Quem sabe eles queiram um pouco de sacanagem, mas são tão incompetentes que só conseguem isso no puteiro. E o amor, pra onde foi? Esquecem-se eles que até a sacanagem precisa de amor. Sacanagem por pura necessidade faz-se sozinho entre quatro paredes, de graça e sem amor. Me cansa toda essa banalização, do amor, da mulher, de tudo. As pessoas precisam pensar um pouquinho com o coração, elas precisam lembrar que têm um coração. Precisam esquecer um pouco a pressão. Não é brega amar. Talvez seja essa a revolução necessária, o amor, seja pelo motivo que for. Só com o amor pode-se acabar com toda a calamidade que corrompe nossa sociedade. Amar sem precisar ser correspondido, sem precisar receber nada em troca. Amar “só pelo bem querer”.